Aberto oficialmente o Mutirão de Comunicação da América Latina e Caribe

No início da noite desta quarta-feira, 3, foi aberto oficialmente o Mutirão de Comunicação da América Latina e Caribe (Muticom). A orquestra sinfônica de Flautas Doces, Vila-Lobos, da cidade de Porto Alegre abriu o evento tocando várias músicas, entre elas Brasileirinho, Aquarela do Brasil, Image, de John Lennon e O que é, o qué, de Gonzaguinha. A platéia vibrou e aplaudiu bastante o grupo composto por jovens e adolescentes da periferia da capital gaúcha.
Logo após a apresentação da orquestra, foram chamadas várias autoridades para compor a mesa de abertura, entre elas, o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais do Vaticano, dom Cláudio Maria Celli; a governadora do estado do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius; o prefeito e o arcebispo de Porto Alegre, respectivamente, José Fogaça e dom Dadeus Grings; o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta; o senador Predo Simon, entre outros.

Em seu pronunciamento, dom Dadeus Grings disse estar muito feliz por receber os participantes “do tão esperado Mutirão de Comunicação”. Ele destacou que essa semana será de intensas atividades no edifício da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). “As discussões”, disse ele, “serão, ao longo do evento, voltadas para o tema ‘Processos de Comunicação e Cultura Solidária’” e deverão trazer profundas reflexões, de modo especial, com foco nas novas tecnologias. “É importante percebermos as maneiras de como marcarmos presença hoje nesses tempos de internet. É interessante aos comunicadores e a toda a sociedade refletir sobre o estilo de vida que muda, com o passar do tempo, e que a comunicação também está em processo de mudança e se tornando mais democrática”, frisou. Ainda durante seu discurso, dom Dadeus leu uma carta escrita pelo arcebispo de São Paulo (SP), o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, saudando os participantes do evento. “O esforço conjunto de todos vocês no Mutirão de Comunicação será muito válido. Rezo por todos e peço a intercessão de São Paulo Apóstolo, que também como comunicador, soube responder ao seu chamado”, diz o texto.
O representante do Conselho Episcopal Latinoamericano, dom Guilhermo Ortiz Mondragón, enfatizou a importância do evento como direcionamento para a Igreja encontrar o sentido da comunicação. Segundo ele, “a comunhão com ressuscitado se faz presente, no evento, pelo relevante tema discutido que se preocupa com a cultura solidária que parte dos processos comunicativos”.
O presidente da Comissão Episcopal para Cultura, Educação e Comunicação Social da CNBB, dom Orani João Tempesta, falou de como o Rio Grande do Sul transformou o Mutirão de Comunicação Brasileiro em Latino americano. “Aqui encontramos a vocação gaúcha que transformou o Mutirão que era brasileiro em latino americano. Essa vocação acontece porque o Rio Grande é uma terra de fronteiras”. O arcebispo do Rio de Janeiro lembrou-se de cada tema dos mutirões passados e afirmou que a evolução da sociedade vem sempre através dos meios de comunicação sociais. “Eis a vocação maior do Muticom: tornar os processos comunicacionais a base da evolução social”, completou ele.
Conferência de Abertura
O cardeal dom Cláudio Maria Celli fez em espanhol a primeira Conferência do Muticom de Porto Alegre. Durante sua fala, ele leu algumas frases do papa Bento XVI voltadas para a comunicação, presentes em sua Encíclica, “Caridade na Verdade”. Preocupado, ele deu alguns números comparativos da comunicação no Brasil e no continente africano. “No Brasil há 180 rádios católicas que atuam levando a boa nova de norte a sul. Em todo o continente africano, porém, existem pouco menos de 200 rádios. Esse é um problema que nos inquieta profundamente”, lamentou. Trazendo a saudação de Bento XVI, ele disse: “Para sermos missionários, temos que ser primeiro discípulos, lembremos disso durante esse importante Mutirão de Comunicação”.
Talk Show
Após a Conferência do Cardel Cláudio Maria Celli, houve um programa em estilo Talk Show, que contou com a participação do ministro da Comunicação do Paraguai, Carlos Augusto dos Santos e dos comunicadores, Ismael Gonzalez, Fernando Checa Montúfar e Beto Almeida. O programa foi conduzido por Lauro Quadros e Washington Uranga.
Fonte: CNBB
Mensagem do Papa para a Quaresma 2010
Foi apresentada na manhã de hoje, 4, na Sala de Imprensa da Santa Sé, no Vaticano, a mensagem do Santo Padre para a Quaresma 2010, com o tema: “A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo”.
Participaram da coletiva à imprensa o cardeal Paul Josef Cordes, residente do Pontifício Conselho Cor Unum; o professor doutor Hans-Gert Pöttering, presidente emérito do Parlamento europeu e presidente da Fundação Konrad Adenauer; e monsenhor Giampietro Dal Toso, vice-secretário do Pontifício Conselho Cor Unum.
Segue abaixo a íntegra da mensagem, em tradução oficial fornecida pela Secretaria de Estado do Vaticano.
“A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (Rom 3, 21–22)
Queridos irmãos e irmãs, todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida á luz dos ensinamentos evangélicos. Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21 – 22 ).
Justiça: “dare cuique suum”
Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romana do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais intimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado á sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais – no fim de contas o próprio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multidões que o seguiam e certamente condena a indiferença que também hoje condena centenas de milhões de seres humanos á morte por falta de alimentos, de água e de medicamentos – , mas a justiça distributiva não restitui ao ser humano todo o “suo” que lhe é devido. Como e mais do que o pão ele de fato precisa de Deus. Nora Santo Agostinho: se “ a justiça é a virtude que distribui a cada um o que é seu…não é justiça do homem aquela que subtrai o homem ao verdadeiro Deus” (De civitate Dei, XIX, 21).
De onde vem a injustiça?
O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de então acerca do que é puro e impuro: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14-15.20-21). Para além da questão imediata relativo ao alimento, podemos entrever nas reações dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior. Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua atuação: Esta maneira de pensar – admoesta Jesus – é ingênua e míope. A injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista: ”Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl. 51,7). Sim, o homem torna-se frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro. Aberto por natureza ao fluxo livre da partilha adverte dentro de si uma força de gravidade estranha que o leva a dobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros: é o egoísmo, consequência do pecado original. Adão e Eva, seduzidos pela mentira de Satanás, pegando no fruto misterioso contra a vontade divina, substituíram á lógica de confiar no Amor aquela da suspeita e da competição; á lógica do receber, da espera confiante do Outro, aquela ansiosa do agarrar, do fazer sozinho (cfr Gn 3,1-6) experimentando como resultado uma sensação de inquietação e de incerteza.
Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?
Justiça e Sedaqah
No coração da sabedoria de Israel encontramos um laço profundo entre fé em Deus que “levanta do pó o indigente (Sl. 113,7) e justiça em relação ao próximo. A própria palavra com a qual em hebraico se indica a virtude da justiça, sedaqah, exprime-o bem. De fato sedaqah significa, dum lado a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, equidade em relação ao próximo (cfr Ex 29,12-17), de maneira especial ao pobre, ao estrangeiro, ao órfão e á viúva (cfr Dt 10,18-19). Mas os dois significados estão ligados, porque o dar ao pobre, para o israelita nada mais é senão a retribuição que se deve a Deus, que teve piedade da miséria do seu povo. Não é por acaso que o dom das tábuas da Lei a Moisés, no monte Sinai, se verifica depois da passagem do Mar Vermelho. Isto é, a escuta da Lei , pressupõe a fé no Deus que foi o primeiro a ouvir o lamento do seu povo e desceu para o libertar do poder do Egito (cfr Ex s,8). Deus está atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justiça para o pobre (cfr.Ecli 4,4-5.8-9), o estrangeiro (cfr Ex 22,20), o escravo (cfr Dt 15,12-18). Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto – suficiência , daquele estado profundo de fecho, que á a própria origem da injustiça. Por outras palavras, é necessário um “êxodo” mais profundo do que aquele que Deus efetuou com Moisés, uma libertação do coração, que a palavra da Lei, sozinha, é impotente a realizar. Existe portanto para o homem esperança de justiça?
Cristo, justiça de Deus
O anuncio cristão responde positivamente á sede de justiça do homem, como afirma o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos: “Mas agora, é sem a lei que está manifestada a justiça de Deus… mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os crentes. De fato não há distinção, porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vitima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (3,21-25). Qual é, portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O fato de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cfr Gal 3,13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objeção:
Que justiça existe lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a bênção que toca ao justo? Desta maneira cada um não recebe o contrário do que é “seu”? Na realidade, aqui manifesta-se a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele põe em evidencia que o homem não é um ser autárquico , mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.
Compreende-se então como a fé não é um fato natural, cômodo, obvio: é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitencia e da Eucaristia. Graças á ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é aquela do amor ( cfr Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.
Precisamente fortalecido por esta experiência, o cristão é levado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor. Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma culmina no Triduo Pascal, no qual também este ano celebraremos a justiça divina, que é plenitude de caridade, de dom, de salvação. Que este tempo penitencial seja para cada cristão tempo de autentica conversão e de conhecimento intenso do mistério de Cristo, que veio para realizar a justiça. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração, a Bênção Apostólica”.
Papa visita exposição “O poder e a graça”
No dia 31 de janeiro, no Palácio de Veneza
ROMA, segunda-feira, 1º de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Na tarde de ontem, o Papa Bento XVI se dirigiu ao Palácio de Veneza, em Roma, para visitar a exposição “O poder e a graça. Os santos padroeiros da Europa”, coincidindo com sua clausura.
Segundo informa L’Osservatore Romano, o Papa esteve acompanhado por Dom Georg Gänswein, seu secretário particular, por Dom Alfred Xuereb, da secretaria particular, e pelas quatro leigas Memores Domini, que cuidam do apartamento papal.
Quem lhes deu as boas-vindas foi o subsecretário da presidência do Conselho de Ministros da República Italiana, Gianni Letta, o embaixador da Itália na Santa Sé, Antonio Zanardi Landi, os organizadores da exposição (além da embaixada, o Polo Museale Romano e o Comitato di San Floriano) e os responsáveis do Palácio de Veneza.
O Papa admirou as obras expostas, entre elas a tela de Leonardo, Tiziano, Caravaggio, van Dyck, El Greco e Mantegna. No final da visita, o Papa recebeu uma reprodução de “Constantino a cavalo”, de Gian Lorenzo Bernini.
Durante os quatro meses em que a exposição esteve aberta, recebeu a visita de mais de 100 mil pessoas.

